4# ECONOMIA 21.5.14

PELO FIO DO BIGODE
 preciso credulidade para comprar a tese oficial de que a inflao est baixa. No seio do poder j h divergncias.

     O governo da presidente Dilma Rousseff passou os ltimos trs anos e meio insistindo no discurso de que o combate  inflao  uma prioridade. Nem sempre com convico, como fica evidente cada vez que as autoridades associam  equivocadamente  o rigor contra o aumento de preos com o desemprego. Mas os fatos e os nmeros desmentem a verso ensaiada de que a inflao sempre esteve domada sob as rdeas de polticas monetria e fiscal coordenadas. Os brasileiros testemunham uma realidade distinta cotidianamente. Enquanto a taxa ao consumidor persiste acima de 6% ao ano, prximo ao teto da meta oficial, muitos produtos e servios encarecem em ritmo superior. Para evitar a espiral inflacionria, o Banco Central elevou a taxa de juros de 7,25% para 11% desde abril de 2013, mas os gastos do governo continuam a crescer acima da inflao e do avano das receitas, o que exerce uma presso adicional sobre a demanda e dificulta o trabalho do BC.  por essa razo que no surpreende o descompasso entre os ministros Aloizio Mercadante e Guido Mantega na semana passada. Na ausncia de uma poltica transparente e objetiva de combate  inflao, fica mesmo difcil uniformizar o discurso. Mercadante, da Casa Civil, demonstrou naturalidade ao dizer que o controle de tarifas  parte deliberada da poltica econmica do governo, enquanto Mantega, o titular da Fazenda, negou tal fato. No  a primeira vez que Mercadante desagrada ao colega. H um ano, VEJA revelou que ele agiu nos bastidores pela demisso de Mantega, utilizando como argumento o notrio fraco desempenho da economia. 
     No episdio recente, tanto Mercadante como Mantega tinham razo em parte. O primeiro, ao admitir o que todo mundo j sabia, que tarifas de servios como a conta de luz e o transporte pblico e o preo de produtos como os combustveis no sobem mais por deciso poltica (ainda que travestida de econmica). Mas foi Mantega quem acertou no alvo ao confessar a falibilidade desse modelo, citando reajustes de 18% na energia neste ano, apesar das manobras para evitar o repasse dos custos mais altos do setor.  a prova de que o controle de tarifas, ainda que bem-intencionado, mostra-se ineficaz cedo ou tarde. Ainda pior, produz efeitos colaterais nocivos. Ao interferir nos preos, o governo reduz a eficcia da poltica monetria, exigindo do BC doses maiores do remdio do aumento dos juros para evitar a propagao da inflao. Alm disso, cria distores em outros setores. Um exemplo  a deciso de segurar o reajuste da gasolina e do diesel a despeito de sua importao a preos mais altos. Ao impor  Petrobras a conta do subsdio, o governo elevou o endividamento da empresa e afetou a sua capacidade de investir. Outra consequncia foi derrubar as vendas de etanol, ajudando a fomentar a crise nesse ramo. So desequilbrios que nem o discurso consegue mais esconder. 


